Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus

Os critérios do LES (Lúpus) auxiliam na classificação, porém esses critérios não foram projetados para diagnósticos ou decisões de tratamento. O diagnóstico deve ser concluído pelo médico que faz a análise detalhada dos dados clínicos e laboratoriais.

Clique aqui  e veja a tabela do resumo dos novos critérios do LES de 2019

Saiba mais sobre o Lúpus

O Lúpus é uma doença sistêmica que pode acometer qualquer órgão ou tecido e pode ter uma variedade de sintomas. No início, pode apresentar sintomas inespecíficos como febre, perda de peso. Na pele é frequente lesões chamadas como rash malar que é uma lesão eritematosa (avermelhada) semelhante a asa de borboleta em região da face e lesões avermelhadas no corpo. Essas lesões pioram com a exposição dos raios ultravioletas. Também é frequente alopecia (queda de cabelo), que pode ser não cicatricial, que não causa lesão no couro cabeludo, ou cicatricial, levando a lesão atrófica e irreversível.

Como o Lúpus é uma doença sistêmica pode apresentar manifestações articulares (dor articular ou artrite), falta de ar, devido manifestações pulmonares com pleurites (inflamação do tecido que envolve o pulmão), alveolite (inflamação dos alvéolos) e tromboembolismo pulmonar. A Dispneia (falta de ar) também pode ter origem cardíaca por pericardite (inflamação no tecido que envolve o coração) ou miocardite.

A nefrite, que é uma inflamação nos rins leva a perda progressiva de proteínas na urina, com aspecto de espuma, e se não tratada adequadamente pode progredir a disfunção e falência renal. Manifestações hematológicas com plaquetopenia (diminuição de plaquetas), leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos), linfopenia (diminuição dos linfócitos), anemia crônica e até anemia hemolítica com destruição das hemácias por autoimunidade. Manifestações neuropsiquiátricas como psicose, acidente vascular cerebral, crises convulsivas podem ocorrer. As manifestações e sintomas do Lúpus são as mais diversas possíveis e pode variar caso a caso.

Como é feito o diagnóstico do Lúpus?

O diagnóstico de Lúpus se faz pela história clínica, exame físico detalhado, exames laboratoriais que alteram com envolvimento de órgãos ou sistemas (hemograma, exame de urina, pesquisa proteína na urina, biópsia renal, enzimas musculares, hepáticas etc), presença de autoanticorpos e redução do complemento.

Os novos critérios de classificação do Lúpus (LES) realizados pelo American College of Rheumatology (ACR) e pelo European League Against Rheumatism (EULAR) em 2019 definiu como critério obrigatório a presença de FAN (fator antinúcleo). Veja tabela nesse link

Os pacientes com LES deverão ter FAN positivo, porém esse exame não é específico do LES, podendo ocorrer em outras doenças autoimunes e até pessoas saudáveis. A pesquisa dos autoanticorpos como anti -dsDNA, anti-Sm, anti P ribossomal e anti nucleossomo (Anti-Cromatina) auxiliam no diagnóstico da doença. Os complementos (C3, C4) são proteínas que diminuem com a atividade da doença. Outros autoanticorpos auxiliam na caracterização do quadro clínico como anti Ro-SSA, anti La-SSB (associação com síndrome e Sjogren, lúpus neonatal e lúpus cutâneo subagudo), atividade renal (anti dsDNA) e acometimento em sistema nervoso central (anti P ribossomal).

** Os critérios do LES auxiliam na classificação, porém esses critérios não foram projetados para diagnósticos ou decisões de tratamento. O diagnóstico deve ser concluído pelo médico que faz a análise detalhada dos dados clínicos e laboratoriais.

Foto de Dra. Marla Santos

Dra. Marla Santos

Reumatologista

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